
Zarifa Ghafari é uma das vozes mais corajosas e influentes do mundo na defesa dos direitos das mulheres, dos direitos humanos e da liderança democrática em sociedades afetadas por conflitos. Defensora afegã dos direitos humanos, autora e ex-presidente de câmara, tornou-se um símbolo internacional de resistência contra o extremismo e o apartheid de género, bem como uma das principais defensoras globais da educação das raparigas e da participação política das mulheres.
Nascida em 1994, no Afeganistão, Ghafari estudou em Cabul e Paktia antes de prosseguir o ensino superior na Índia, onde obteve uma licenciatura e um mestrado em Gestão e Economia. Encontra-se atualmente a frequentar o seu segundo mestrado na Universidade de Cornell, em Nova Iorque, na área de Governo, Política e Estudos de Políticas Públicas, com especialização secundária em Estudos para a Paz, aprofundando o seu enfoque académico na governação, resolução de conflitos e construção de instituições democráticas.
Ainda enquanto estudante universitária, fundou a Assistance and Promotion for Afghan Women (APAW), uma organização sem fins lucrativos dedicada à promoção dos direitos das mulheres, da educação das raparigas e do empoderamento social, político e económico das mulheres. Através da APAW, liderou campanhas de advocacia a nível nacional, organizou workshops e campanhas de sensibilização, criou programas educativos e de formação profissional para raparigas, prestou cuidados de saúde materna gratuitos a viúvas e mulheres vulneráveis, distribuiu milhares de cabazes alimentares a famílias necessitadas e interveio diretamente no resgate de raparigas vítimas de casamentos forçados e infantis.
Em 2018, com apenas 24 anos, Zarifa Ghafari fez história ao tornar-se a presidente de câmara mais jovem do Afeganistão e uma das primeiras mulheres a exercer esse cargo, na província de Maidan Wardak. Num contexto profundamente patriarcal e altamente inseguro, enfrentou a corrupção, desafiou máfias de terras e traficantes de droga, resistiu ao extremismo religioso e trabalhou para melhorar os serviços urbanos, colocando a participação das mulheres e a educação das raparigas no centro da governação local. Paralelamente ao cargo público, fundou a Peghla Radio (78.5 FM), uma estação de rádio liderada por mulheres, com emissões em várias províncias, que difundia conteúdos sobre direitos das mulheres, educação, saúde, independência económica, direitos das minorias e valores democráticos. A estação tornou-se um recurso vital para milhares de mulheres, em particular para aquelas que eram analfabetas ou viviam isoladas.
A sua liderança teve um custo pessoal enorme. Sobreviveu a várias tentativas de assassinato, enfrentou ameaças constantes e perdeu o pai devido ao seu ativismo. Ainda assim, recusou-se a ser silenciada. Em 2021, foi nomeada Diretora do Departamento de Apoio às Famílias de Mártires, Deficientes e Prisioneiros de Guerra no Ministério da Defesa do Afeganistão, onde supervisionou a assistência a famílias que perderam entes queridos no conflito — na sua maioria agregados familiares chefiados por mulheres.
Após a tomada do poder pelos Talibã, em agosto de 2021, Ghafari foi forçada ao exílio. Desde então, tornou-se uma das mais proeminentes representantes internacionais das mulheres afegãs, intervindo junto de governos, parlamentos, universidades, organismos de direitos humanos e meios de comunicação globais. A sua ação centra-se na catástrofe humanitária no Afeganistão, na exclusão sistemática das mulheres da vida pública, na proibição da educação das raparigas e nos riscos globais para a segurança decorrentes da tolerância face a regimes extremistas. Continua a apoiar iniciativas educativas clandestinas, programas de ensino online e vias seguras para mulheres ativistas em risco.
Zarifa Ghafari é também uma autora e intelectual pública de destaque. O seu livro de memórias, Zarifa: A Luta de uma Mulher num Mundo de Homens, coescrito com Hannah Lucinda Smith, foi publicado em várias línguas e retrata a vida de três gerações de mulheres afegãs sob opressão. É igualmente uma figura central no documentário da Netflix In Her Hands, que estreou no Festival Internacional de Cinema de Toronto e documenta a sua vida, liderança e luta pela educação das raparigas e pelos direitos das mulheres.
A sua coragem extraordinária e impacto global foram reconhecidos com um número excecional de distinções internacionais, incluindo:
- Prémio Internacional Mulheres de Coragem (Governo dos Estados Unidos)
- BBC 100 Mulheres Inspiradoras e Influentes
- TIME – Líderes da Próxima Geração
- Prémio Forbes 30/50 Change-Maker
- Prémio de Direitos das Mulheres da ONU Mulheres (Genebra)
- Prémio One Young World – Político do Ano
- Prémio Asiático de Liderança Feminina de Excelência
- Prémio OXI Courage (EUA)
- Badass 50: Women Who Can Change the World (InStyle)
- Prémio de Direitos Humanos – Organização HAWAR Help (Alemanha)
- Finalista do Prémio Sakharov para a Liberdade de Pensamento (Parlamento Europeu)
- Prémio Norte-Sul do Conselho da Europa
- Prémio Luther (Alemanha)
- Dupla nomeação para o Prémio Nobel da Paz (2023 e 2024)
- Membro do Júri do Prémio Internacional para a Igualdade de Género (2023)
Atualmente, Zarifa Ghafari continua a combinar investigação académica, ativismo e liderança global para promover uma visão ambiciosa: um Afeganistão democrático e inclusivo, construído pelo seu próprio povo — onde mulheres e homens participam de forma igual na vida política, onde as raparigas podem aprender sem medo e onde o extremismo é substituído por justiça, educação e governação responsável.
A vida de Zarifa Ghafari não é apenas uma história de coragem — é um modelo de liderança transformadora face à tirania.
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Zarifa Ghafari is one of the world’s most courageous and influential voices for women’s rights, human rights, and democratic leadership in conflict-affected societies. An Afghan human rights defender, author, and former mayor, she has become an international symbol of resistance against extremism and gender apartheid, and a leading global advocate for girls’ education and women’s political participation.
Born in 1994 in Afghanistan, Ghafari was educated in Kabul and Paktia before pursuing higher education in India, where she earned both a Bachelor’s degree and a Master’s degree in Business and Economics. She is currently pursuing her second Master’s degree at Cornell University in New York, majoring in Government, Politics, and Policy Studies, with a minor in Peace Studies—deepening her academic focus on governance, conflict resolution, and democratic institution-building.
While still a university student, she founded the Assistance and Promotion for Afghan Women (APAW), a nonprofit organization dedicated to advancing women’s rights, girls’ education, and women’s social, political, and economic empowerment. Through APAW, she has led nationwide
advocacy efforts, organized workshops and awareness campaigns, established education and vocational training programs for girls, provided free maternity healthcare to widows and vulnerable women, distributed thousands of food packages to families in need, and directly intervened to rescue young girls from forced and child marriages.
In 2018, at only 24 years old, Zarifa Ghafari made history as the youngest mayor in Afghanistan and one of the country’s first female mayors, serving in Maidan Wardak Province. In a deeply patriarchal and highly insecure environment, she confronted corruption, challenged land mafias and drug traffickers, resisted religious extremism, and worked to improve urban services while placing women’s participation and girls’ education at the center of local governance. Alongside her public office, she founded Peghla Radio (78.5 FM), a women-led radio station broadcasting across multiple provinces, providing programming on women’s rights, education, health,
economic independence, minority rights, and democratic values. The station became a lifeline for thousands of women, particularly those who were illiterate or isolated.
Her leadership has come at immense personal cost. She has survived multiple assassination attempts, endured constant threats, and lost her father because of her activism. Yet she refused to be silenced. In 2021, she was appointed Director of the Department of Support for Families of Martyrs, Disabled, and Prisoners of War at Afghanistan’s Ministry of Defense, where she oversaw assistance for families who had lost loved ones in the conflict—most of them women-headed households.
Following the Taliban takeover in August 2021, Ghafari was forced into exile. Since then, she has become one of the most prominent international representatives of Afghan women, speaking before governments, parliaments, universities, human rights bodies, and global media. Her advocacy focuses on the humanitarian catastrophe in Afghanistan, the systematic erasure of women from public life, the banning of girls’ education, and the global security risks of allowing extremist regimes to operate unchecked. She continues to support underground education initiatives, online learning programs, and safe pathways for at-risk women activists.
Zarifa Ghafari is also an accomplished author and public intellectual. Her memoir, Zarifa: A Woman’s Battle in a Man’s World, co-authored with Hannah Lucinda Smith, has been published in multiple languages and chronicles the lives of three generations of Afghan women under oppression. She is a central figure in the Netflix documentary In Her Hands, which premiered at the Toronto International Film Festival and documents her life, leadership, and fight for girls’ education and women’s rights.
Her extraordinary courage and global impact have been recognized with an exceptional number of international honors, including:
● International Women of Courage Award (United States Government)
● BBC 100 Inspirational and Influential Women
● TIME – Next Generation Leaders
● Forbes 30/50 Change-Maker Award
● UN Women Rights Award (Geneva)
● One Young World Politician of the Year Award
● Asia’s Outstanding Women Leadership Award
● OXI Courage Award (USA)
● Badass 50: Women Who Can Change the World (InStyle)
● Human Rights Award – HAWAR Help Organization (Germany)
● Finalist for the Sakharov Prize for Freedom of Thought (European Parliament)
● North-South Council of Europe Prize
● Luther Prize (Germany)
● Two-time Nobel Peace Prize Nominee (2023 & 2024)
● Member, International Gender Equality Prize Jury (2023)
Today, Zarifa Ghafari continues to combine scholarship, activism, and global leadership to advance a bold vision: a democratic, inclusive Afghanistan built by its own people—where women and men participate equally in political life, where girls can learn without fear, and where extremism is replaced by justice, education, and accountable governance. Zarifa Ghafari’s life is not only a story of courage—it is a blueprint for transformational leadership in the face of tyranny





















































